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Wagner (assustado) Salve ao propício astro da hora! (baixinho) Mas sopro e voz sustai na boca agora Uma obra esplêndida vem vinda à luz.
Mefistófeles (mais baixo) Qual é?
Wagner (mais baixo) Um ser humano se produz.
Mefistófeles Um ser humano! E que casal de amantes Fostes trancar no tubo da fornalha?
(...)
Wagner Vede! Reluz! – séria esperança augura, Se de substâncias mil, pela mistura A humana essência – a mistura é o jeito, - Composta for e se unifique, E destilada no alambique Se coalhe es se solidifique, Eis realizado o grande feito .
(...)
Homúnculo (na redoma, a Wagner) Não foi gracejo, então! Como é, Paizinho? Aperta-me ao teu peito com carinho! Das coisas todas é o próprio inerente: É a naturaza ainda o infinito escasso, O artificial requer restrito espaço . Goethe, Faust II
Cada
movimento, segundo disse, tinha um centro de gravidade; era suficiente
comandar este centro, no interior da figura; os membros, que não eram
mais do que pêndulos, acompanhavam por si mesmos qualquer intervenção
de maneira mecânica. Heinrich von Kleist
A
profundidade mais crítica se desenha: Frankenstein liga arte e ciência,
a imagem cristalina e o cadáver repugnante, a violência e o sofrimento.
Ele incorpora, no projeto monstruoso, uma ambigüidade humana, muito
humana. Ele mostra as virtudes da imperfeição. Jorge Coli
Se
os corpos não existem fora da linguagem, as práticas da linguagem
determinam a aparência, a expressividade e até mesmo a saúde dos
corpos. Observem o que se passou, de uns vinte anos para cá, com os
corpos doe jovens pobres no Brasil. São corpos muito diferentes do que
foram os corpos de seus pais e dês seus avós, tão pobres como eles, tão
desamparados como eles, provavelmente tão negros – pois a grande
maioria dos pobres brasileiros é de origem negra – como eles. Maria Rita Kehl
O
corpo é visto por alguns entusiastas das novas tecnologias como um
vestígio indigno fadado a desaparecer em breve. Ele se transforma em
membro excedente, em obstáculo à emergência de uma humanidade (que
alguns já chamam pós-humanidade) finalmente liberta de todas as suas
peias, das quais a mais duradoura é o fardo do corpo. David Le Breton
O
controle da sociedade sobre os indivíduos não se opera simplesmente
pela consciência ou ideologia, mas começa no corpo. Foi no biológico,
no somático, no corporal que, antes de tudo, investiu a sociedade
capitalista. O corpo é uma realidade biopolítica. A medicina é uma
estratégia biopolítica. Michel Foucault
O
sr. Máquina foi um pobre-diabo, bastante doido, mas afinal era uma
máquina, e uma máquina não faz o que quer, mas o que tem que fazer. Não
sabe em que retorta essa matéria pesada e grosseira se organizou.
Nasceu como um dos prodígios mecânicos de Vaucanson (autor de autômatos
famosos), como eles sem espírito, sem alma, sem razão, sem virtude, sem
discernimento, sem gosto, sem polidez es sem maneiras, pura máquina,
homem-máquina. Sergio Paulo Rouanet
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